sexta-feira, 17 de maio de 2013

UMA PALMADA NA BUNDA

O que você faria se alguém batesse nos seus filhos? E se esse alguém fosse você?

Certa vez, uma senhora contou que quando era jovem não acreditava no castigo físico como uma forma adequada de educar uma criança, apesar do pensamento comum da época incentivar o uso de um fino galho de árvore para corrigir a criança. Um dia, o seu filho de 5 anos fez alguma coisa que ela considerou muito errada e, pela primeira vez, sentiu que deveria dar-lhe um castigo físico. Ela disse para ele que fosse até o quintal de sua casa e encontrasse uma varinha de árvore e trouxesse para que ela pudesse aplicar-lhe a punição. O menino ficou um longo tempo fora de casa e quando voltou estava chorando e disse para a mãe: Mãezinha, eu não consegui achar uma varinha, mas achei uma pedra que você pode jogar em mim. Imediatamente a mãe entendeu como a situação é sentida do ponto de vista de uma criança: Se minha mãe quer bater em mim, não faz diferença como e com o quê; ela pode até fazê-lo com uma pedra. A mãe pegou seu filho no colo e ambos choraram abraçados. Ela colocou aquela pedra em sua cozinha para lembrar sempre: Nunca use violência!.

Por que ficamos furiosos quando outra pessoa destrata os nossos filhos? E porque não nos importamos quando somos nós mesmos que o fazemos? Por que somos os pais? Esta condição nos dá o direito de abusar de nossos filhos?

Já fiz essas perguntas para muitos pais, a resposta geralmente é a mesma, o que para mim é preocupante: “Ah, mas é diferente, somos os pais!” Este tipo de resposta nos mostra como os valores sobre amar, cuidar e respeitar os nossos filhos estão criando mofo dentro do armário. A mão que deveria dar carinho, amparo e proteção, é a mão que bate, humilha e destrói a auto-estima dos filhos.

Sabemos que a punição física é considerada uma prática “educativa” por muitos pais, até mesmo porque estes devem ter apanhado quando criança (o que por si só já deveria ser motivo suficiente para não reproduzir o mesmo comportamento nos filhos). Mas se você pensar criteriosamente a respeito, poderá tentar responder as seguintes perguntas: Que tipo de educação você está dando através da violência? Que tipo de exemplo você está sendo para os seus filhos? Quais informações os seus filhos absorvem através desse tipo de mau trato? Eles respeitam e admiram ou temem você?

O bater nos filhos geralmente começa com a velha e “inocente” palmada, e facilmente se tornar um abuso físico. Os pais que batem, acreditam estar corrigindo o comportamento da criança ou do adolescente. A grande questão é que bater não educa, apenas gera revolta, medo, tristeza, dor física e emocional. Como não educa, o comportamento que queríamos “eliminar” nos nossos filhos se repete e, a cada nova tentativa de “educar batendo” você vai precisar agregar mais força, gritos, chantagens e castigos para que algo aconteça. Esta é a infalível receita da agressão física nos filhos!

Uma observação importante: No processo de aprendizagem, a repetição é fundamental. Por isso, nossos filhos repetem muitos comportamentos até que eles tenham a certeza de tê-los apreendido.

Exemplo: Uma criança ao beber água, derruba na roupa. Você diz à ela: Tome cuidado ao beber água para não se molhar. Na próxima vez que ela beber água, provavelmente vai se molhar novamente e você precisará repetir a informação. Isso poderá acontecer várias vezes, e a cada vez que acontecer você vai precisar dar a mesma informação. Faça isso pacientemente! Não terá nenhum resultado no processo de educação se você gritar ao dizer: ”Eu já falei para você tomar cuidado ao beber água e não se molhar, seu idiota!” Educar exige paciência, disposição e bom humor. O contrário disso é uma bomba prestes a explodir: você!

Cuidado! Num suposto misto de raiva e ou medo de não ser respeitada e ou desejo de disciplinar, você pode se tornar um(a) abusador(a) de seus próprios filhos.

Não perca o controle com os seus filhos!

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