quarta-feira, 12 de maio de 2010

COLO DE MÃE

Meu filho é compositor. E ele fez no ano passado uma canção chamada “Ama Mâe”, que foi gravada por Paullo Costa, cantor e compositor de música gaúcha que fez uma coletânea de músicas que falam sobre a família.

No início da canção, ele fala que “o melhor lugar do mundo é o colo de mãe”. Quando fala “de mãe”, é bem diferente da expressão “da mãe”. O colo da minha mãe é único, pois como filha dela, pode até dar colo para todo o mundo, mas o meu, está garantido. Só que o colo “de mãe”, é aquele colo que muitas vezes já ouvimos alguém falando ou pedindo: hoje eu preciso de um colo... E a gente olha para a pessoa, e fisicamente seria impossível, pelo peso da criatura, mas a fragilidade do carinho simbolicamente pedido pela pessoa carente é que faz com que se peça um colo. Não precisa ser mãe.

No ano passado, pela passagem do Dia das Mães, eu escrevi sobre as mães centenárias, homenageando meu time do coração, o Inter. E hoje comecei falando do meu filho, do colo, e vi uma foto linda em que uma menina gigante dá um colo para sua mãe, minúscula, agarrada no seu pescoço. A mãe no colo da filha. Essa troca de colo continua por toda a vida.

Uma cena intrigante que assisti nos últimos dias foi a troca dos meninos, em Goiânia. Os meninos presos aos colos de suas mães, que não eram mais suas mães. Trocados primeiro no hospital e depois pelo resultado de um exame de DNA e uma decisão judicial. A mãe pediu o exame, por ter sido questionada quanto à paternidade, pelo então ex-marido. Consegue então, de volta o filho biológico, que naquele primeira noite não dormiu. Outra família. Faltou o colo da mãe que até então era sua, e não do outro. Não vou discutir o erro, a troca, a decisão judicial. Mas um colo perdido sempre fará falta, mesmo substituído. Quantos colos pedimos na nossa vida, depois que não somos mais bebês, quando o choro, a tristeza, o desespero tomam conta?

Queremos colo, sim. Sempre. No aconchego, no carinho, no afago, não importa nosso tamanho. É exemplo de amor e acolhimento. O colo de quem dá é a prova inquestionável que há um lugarzinho na alma para consolar, dizer coisas de forma serena, o que às vezes nos dizem aos gritos. O “usuário” do colo ouve, até chora, se acalma, e ás vezes até dorme. Felizes dos que tiveram e tem amparo, calor, amor. Depois que nascemos o primeiro lugar que conhecemos é um colo. É a primeira inclusão no novo mundo

Benditos sejam os colos “de mãe”. Bendito seja o colo da minha mãe, Ao segurar-me junto ao seu peito, me ensinou como acalentaria os meus filhos entre os meus braços. Ela também me mostrou como usar esses mesmos braços para segurar as barras, as pessoas. Um pedaço da alma da minha mãe deixou pistas no meu peito. No meu colo!

Angela Isabel Beroth Dillenburg
Professora e jornalista

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