sexta-feira, 24 de novembro de 2017

CRISTO REI

Vimemos num mundo paganizado, num mundo que virou as costas para Deus, num mundo que ridiculariza a Igreja por pregar as exigências do Evangelho. 

INFELIZMENTE Jesus não reina mais nas famílias, Jesus não reina mais em nossas escolas, Jesus não reina mais em nossos ambientes de trabalho, não reina mais nas nossas leis nem dos nossos legisladores e governantes... 

Hoje reina o paganismo, o relativismo, reina a banalização do sagrado. 

Mas nós homens e mulheres de fé, diferente do que faz o mundo, o proclamamos Rei: Rei de nossas vidas, Rei da história, Rei do universo. 

O mundo não entende o reinado de Jesus, porque Ele não é um Rei prepotente ao estilo dos que governam o mundo, mas é um rei que nos ama, Rei porque se fez um de nós, Rei que por nós sofreu, morreu e ressuscitou. Rei porque nos dá a vida. O reinado de Cristo é muito diferente dos reinados do mundo. 

(1) Ele é um Rei solidário conosco em tudo menos no pecado. Ele experimentou nossas pobrezas e limitações; ele caminhou pelas nossas estradas, derramou o nosso suor, chorou conosco. Ele morreu como nós, de morte humana, igual à nossa. Ele reina pela solidariedade. 

(2) Ele é Rei porque nos serviu: “O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate por muitos” (Mc. 10,45). Serviu com toda a sua existência, serviu dando sempre e em tudo a vida por amor de nós. Ele reina pelo amor. 

(3) Ele é Rei porque tudo aparecerá na sua verdade: “Quem é da verdade, ouve a minha voz”. É nele que o mundo será julgado. A televisão, os modismos, os sabidos do mundo podem dizer o que quiserem, ensinarem a verdade que lhes forem conveniente... mas, ao final, somente o que passar pelo teste de cruz do Senhor resistirá. O resto, é resto: não passa de palha. Ele reina pela verdade. 

(4) Ele é Rei porque é o único que pode garantir nossa vida; pode fazer-nos felizes agora e pode nos dar a vitória sobre a morte por toda a eternidade: “Jesus Cristo é o primeiro a ressuscitar dentre os mortos, o soberano dos reis da terra”. Ele reina pela vida. 

Sim, Jesus é Rei, ele nos diz: “Eu sou Rei! Para isto nasci, para isto vim ao mundo!” Mas seu Reino nada tem a ver com os reinos humanos. Nunca nos esqueçamos que aquele que entrou em Jerusalém como Rei, veio num burrinho, símbolo de mansidão e serviço. Como coroa teve os espinhos; como cetro, uma cana; como manto, um farrapo escarlate; como trono, a cruz. 

Hoje, vemos a paganização do mundo, e perguntamos: onde está a realeza do Cristo? – Onde sempre esteve: na cruz. 

O Reino que Jesus onde ele está? Poderão nos perguntar: Onde estiverem o amor, a verdade, a piedade, a justiça, a solidariedade, a paz. 

Celebrar Jesus Cristo Rei do Universo é proclamar diante do mundo que somente Cristo é o sentido último de tudo e de todos, que somente Cristo é definitivo e absoluto. 


O seu Reino já está presente no mundo. Ali, onde o amor de Cristo é acolhido com doçura e bondade; ali, onde reina o amor e a caridade; ali onde o serviço e o perdão estão presentes; ali, onde se reza e se busca realmente levar a própria cruz com Cristo. 

A ele a glória pelos séculos dos séculos. Amém.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

MARIA – MULHER EUCARÍSTICA

Ao falar da Eucaristia, “não podemos esquecer Maria porque ela tem uma relação profunda com o santíssimo sacramento. “Maria está presente, com a Igreja e como Mãe da Igreja, em cada uma das celebrações eucarísticas”. Se Igreja e Eucaristia são indivisível, o mesmo é preciso afirmar de Maria e Eucaristia. Por isso mesmo, desde a antiguidade é unânime na Igreja a recordação de Maria na celebração eucarística”.

Seguindo os passos de Maria, vamos percebendo como de fato, ela é a Mulher Eucarística. Já na anunciação se encontra uma analogia profunda entre o “sim” pronunciado por Maria e o “amém” que o fiel diz ao receber o Corpo de Senhor, na sagrada comunhão.

A visita de Maria a Isabel nos permite vislumbrar seu sentido “eucarístico”. No paralelismo com o transporte da arca da aliança, o evangelista Lucas quer transmitir a convicção que Maria é a arca da nova aliança, o lugar incorruptível da presença do Senhor.

“Na visitação, quando Maria leva em seu ventre o Verbo encarnado, de certo modo Ela serve de « sacrário » – o primeiro « sacrário » da história –, para o Filho de Deus, que, ainda invisível aos olhos dos homens, se presta à adoração de Isabel, como que « irradiando » a sua luz através dos olhos e da voz de Maria”.

Relendo, em perspectiva eucarística, o Magnificat cantado por Maria em sua visita a Isabel nos permite descobrir que na Eucaristia, a Igreja une-se a Cristo, com o mesmo espírito de Maria.

De fato, como o cântico de Maria, a Eucaristia é primeiramente louvor e ação de graças. Quando exclama: « A minha alma glorifica ao Senhor e o meu espírito exulta de alegria em Deus meu Salvador », Maria traz no seu ventre Jesus. Louva o Pai « por » Jesus, mas louva-o também « em » Jesus e « com » Jesus. É nisto precisamente que consiste a verdadeira « atitude eucarística ».

“As convergências espirituais entre a celebração da Eucaristia e o cântico de Maria são várias: O louvor e a ação de graças que em ambos se louva e agradece ao Pai ‘por Cristo, com Cristo e em Cristo’. Em ambos se faz memória das maravilhas operadas por Deus na história da salvação: no Magnificat se celebra a encarnação redentora, indicada na expressão das ‘grandes coisas’ realizadas por Deus em Maria. Na Eucaristia se atualiza o mistério pascal do Senhor.

Cada vez que o Filho de Deus se torna presente entre nós nos sinais sacramentais, do pão e do vinho são lançados no mundo a semente do Reino que verá os poderosos « derrubados dos seus tronos » e « exaltados os humildes » (cf. Lc 1, 52).

Maria canta aquele « novo céu » e aquela « nova terra », cuja antecipação se encontram na Eucaristia. Se o Magnificat exprime a espiritualidade de Maria, nada melhor do que esta espiritualidade nos pode ajudar a viver o mistério eucarístico. Recebemos o dom da Eucaristia, para que a nossa vida, à semelhança da vida de Maria, seja toda ela um verdadeiro magnificat” (EE 58) .

Na infância de Jesus, Maria oferece duas atitudes indispensáveis a uma participação na Eucaristia: o amor e a oferta do sacrifício. Em Belém, a Mãe se revela incomparável modelo de amor quando contempla a face de Cristo apenas nascido e o envolve com seus braços. “Ao longo de toda a sua existência ao lado de Cristo, e não apenas no Calvário, Maria viveu a dimensão sacrifical da Eucaristia. Quando levou o menino Jesus ao templo de Jerusalém, « para apresentá-lo ao Senhor » (Lc 2, 22), ouviu o velho Simeão anunciar que aquele Menino seria « sinal de contradição » e que uma « espada » haveria de traspassar também a sua alma (cf. Lc 2, 34-35). ]

Assim foi vaticinado o drama do Filho crucificado e de algum modo prefigurado o « stabat Mater » aos pés da Cruz. Preparando-se dia a dia para o Calvário, Maria vive uma espécie de « Eucaristia antecipada.

Para nós cristãos, viver o memorial da morte de Cristo na Eucaristia implica também levar conosco – a exemplo de João – Aquela que sempre de novo nos é dada como Mãe. Significa ao mesmo tempo assumir o compromisso de nos conformarmos com Cristo, entrando na escola da Mãe e aceitando a sua companhia.

“Se a Eucaristia é um mistério de fé que excede tanto a nossa inteligência que nos obriga ao mais puro abandono à palavra de Deus, ninguém melhor do que Maria pode servir-nos de apoio e guia nesta atitude de entrega. Todas as vezes que repetimos o gesto de Cristo na Última Ceia, dando cumprimento ao seu mandato, (Fazei isto em memória de Mim), ao mesmo tempo acolhemos o convite que Maria nos faz para obedecermos a seu Filho sem hesitação: « Fazei o que Ele vos disser » (Jo 2, 5). Ela parece dizer-nos: « Não hesiteis, confiai na palavra do meu Filho. Se Ele pôde mudar a água em vinho, também Ele é capaz de fazer do pão e do vinho o seu corpo e sangue, tornando-se assim o “pão de vida”. Amém!

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

DESAPEGO

Quem tem fé, bendiz ao Senhor, mesmo entre dificuldades e incertezas, pois sabe que a sua vida esta nas mãos de um Deus forte, de um Deus poderoso, de um Deus especialista no impossível. Quem não tem fé, resmunga e múrmura, lastima se desespera Quem tem fé vê além e confia., pois não enxerga um o caminho. 

A santidade é uma longa estrada a ser percorrida e nem sempre é fácil.

Seja, pelas dificuldades naturais da vida, como problemas de saúde, o peso da idade que vem chegando, seja pelo peso desnecessário que acabamos carregando pelo caminho, magoas, rancores e desilusões. 

Jesus nos fala sobre o desapego, pois quanto mais peso levamos mais difícil será o caminho rumo a santidade. 

Imagino que seja como quando andamos por terreno baldio e ficamos cheios de carrapichos. Se não cuidarmos na vida vamos ficando cheios com os carrapichos da vaidade, do medo, da soberba, do orgulho, da arrogância, da prepotência, da indiferença, do ciúme, da inveja... Todas essas coisas podem acabar depositando suas sementes em nosso coração.

O mal vai se agarrando em nós como carrapichos que vamos adquirindo, vícios e até manias. Ai chega alguém e diz que você esta cheio de manias, e vocês responde, não mesmo, não são manias são direitos adquiridos. Da onde?

É comum vermos capim nascendo em meio a fendas no concreto. Não precisam de muita coisa; precisam apenas de uma fresta. 

Jesus quer nos alertar sobre esses apegos indesejáveis. Quando nos diz que todo o apago exagerado pode nos afastar de Deus. Deus deve estar em primeiro lugar em nossa vida, mesmo antes que as coisas mais puras e santas, como a nossa família. 

Jesus quer que famílias se desfaçam, pelo contrario, pois as pessoas que não vive em Deus não tem chance de ser uma família de verdade, pois os apegos geram distanciamento e rivalidades que destroem as relações.

Irmãos a caminhada, para o céu é longa, quanto mais peso levo mais complicada será para me manter nela. O peso das coisas que carrego fatalmente ou me farão parar mais vezes ou nos motivará a desistir. 

A pessoa apegada pensa no que tem a perder quando aceita Deus, porque não é capaz de ver o que tem a ganhar. 

Quando éramos jovens nossos pais sabiam por onde andávamos pela cor da roupa que chegávamos em casa, inclusive os carrapichos. Mais que nossos pais, Deus sabe por onde andamos e conhece cada um dos carrapichos que tememos retirar. O desapego não é fácil, exige esforço e humidade. 

Rogamos humildemente que o Bom Deus tire as nossas imperfeições para sermos dignos do Reino dos Céus.
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