sexta-feira, 17 de novembro de 2017

MARIA – MULHER EUCARÍSTICA

Ao falar da Eucaristia, “não podemos esquecer Maria porque ela tem uma relação profunda com o santíssimo sacramento. “Maria está presente, com a Igreja e como Mãe da Igreja, em cada uma das celebrações eucarísticas”. Se Igreja e Eucaristia são indivisível, o mesmo é preciso afirmar de Maria e Eucaristia. Por isso mesmo, desde a antiguidade é unânime na Igreja a recordação de Maria na celebração eucarística”.

Seguindo os passos de Maria, vamos percebendo como de fato, ela é a Mulher Eucarística. Já na anunciação se encontra uma analogia profunda entre o “sim” pronunciado por Maria e o “amém” que o fiel diz ao receber o Corpo de Senhor, na sagrada comunhão.

A visita de Maria a Isabel nos permite vislumbrar seu sentido “eucarístico”. No paralelismo com o transporte da arca da aliança, o evangelista Lucas quer transmitir a convicção que Maria é a arca da nova aliança, o lugar incorruptível da presença do Senhor.

“Na visitação, quando Maria leva em seu ventre o Verbo encarnado, de certo modo Ela serve de « sacrário » – o primeiro « sacrário » da história –, para o Filho de Deus, que, ainda invisível aos olhos dos homens, se presta à adoração de Isabel, como que « irradiando » a sua luz através dos olhos e da voz de Maria”.

Relendo, em perspectiva eucarística, o Magnificat cantado por Maria em sua visita a Isabel nos permite descobrir que na Eucaristia, a Igreja une-se a Cristo, com o mesmo espírito de Maria.

De fato, como o cântico de Maria, a Eucaristia é primeiramente louvor e ação de graças. Quando exclama: « A minha alma glorifica ao Senhor e o meu espírito exulta de alegria em Deus meu Salvador », Maria traz no seu ventre Jesus. Louva o Pai « por » Jesus, mas louva-o também « em » Jesus e « com » Jesus. É nisto precisamente que consiste a verdadeira « atitude eucarística ».

“As convergências espirituais entre a celebração da Eucaristia e o cântico de Maria são várias: O louvor e a ação de graças que em ambos se louva e agradece ao Pai ‘por Cristo, com Cristo e em Cristo’. Em ambos se faz memória das maravilhas operadas por Deus na história da salvação: no Magnificat se celebra a encarnação redentora, indicada na expressão das ‘grandes coisas’ realizadas por Deus em Maria. Na Eucaristia se atualiza o mistério pascal do Senhor.

Cada vez que o Filho de Deus se torna presente entre nós nos sinais sacramentais, do pão e do vinho são lançados no mundo a semente do Reino que verá os poderosos « derrubados dos seus tronos » e « exaltados os humildes » (cf. Lc 1, 52).

Maria canta aquele « novo céu » e aquela « nova terra », cuja antecipação se encontram na Eucaristia. Se o Magnificat exprime a espiritualidade de Maria, nada melhor do que esta espiritualidade nos pode ajudar a viver o mistério eucarístico. Recebemos o dom da Eucaristia, para que a nossa vida, à semelhança da vida de Maria, seja toda ela um verdadeiro magnificat” (EE 58) .

Na infância de Jesus, Maria oferece duas atitudes indispensáveis a uma participação na Eucaristia: o amor e a oferta do sacrifício. Em Belém, a Mãe se revela incomparável modelo de amor quando contempla a face de Cristo apenas nascido e o envolve com seus braços. “Ao longo de toda a sua existência ao lado de Cristo, e não apenas no Calvário, Maria viveu a dimensão sacrifical da Eucaristia. Quando levou o menino Jesus ao templo de Jerusalém, « para apresentá-lo ao Senhor » (Lc 2, 22), ouviu o velho Simeão anunciar que aquele Menino seria « sinal de contradição » e que uma « espada » haveria de traspassar também a sua alma (cf. Lc 2, 34-35). ]

Assim foi vaticinado o drama do Filho crucificado e de algum modo prefigurado o « stabat Mater » aos pés da Cruz. Preparando-se dia a dia para o Calvário, Maria vive uma espécie de « Eucaristia antecipada.

Para nós cristãos, viver o memorial da morte de Cristo na Eucaristia implica também levar conosco – a exemplo de João – Aquela que sempre de novo nos é dada como Mãe. Significa ao mesmo tempo assumir o compromisso de nos conformarmos com Cristo, entrando na escola da Mãe e aceitando a sua companhia.

“Se a Eucaristia é um mistério de fé que excede tanto a nossa inteligência que nos obriga ao mais puro abandono à palavra de Deus, ninguém melhor do que Maria pode servir-nos de apoio e guia nesta atitude de entrega. Todas as vezes que repetimos o gesto de Cristo na Última Ceia, dando cumprimento ao seu mandato, (Fazei isto em memória de Mim), ao mesmo tempo acolhemos o convite que Maria nos faz para obedecermos a seu Filho sem hesitação: « Fazei o que Ele vos disser » (Jo 2, 5). Ela parece dizer-nos: « Não hesiteis, confiai na palavra do meu Filho. Se Ele pôde mudar a água em vinho, também Ele é capaz de fazer do pão e do vinho o seu corpo e sangue, tornando-se assim o “pão de vida”. Amém!

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

DESAPEGO

Quem tem fé, bendiz ao Senhor, mesmo entre dificuldades e incertezas, pois sabe que a sua vida esta nas mãos de um Deus forte, de um Deus poderoso, de um Deus especialista no impossível. Quem não tem fé, resmunga e múrmura, lastima se desespera Quem tem fé vê além e confia., pois não enxerga um o caminho. 

A santidade é uma longa estrada a ser percorrida e nem sempre é fácil.

Seja, pelas dificuldades naturais da vida, como problemas de saúde, o peso da idade que vem chegando, seja pelo peso desnecessário que acabamos carregando pelo caminho, magoas, rancores e desilusões. 

Jesus nos fala sobre o desapego, pois quanto mais peso levamos mais difícil será o caminho rumo a santidade. 

Imagino que seja como quando andamos por terreno baldio e ficamos cheios de carrapichos. Se não cuidarmos na vida vamos ficando cheios com os carrapichos da vaidade, do medo, da soberba, do orgulho, da arrogância, da prepotência, da indiferença, do ciúme, da inveja... Todas essas coisas podem acabar depositando suas sementes em nosso coração.

O mal vai se agarrando em nós como carrapichos que vamos adquirindo, vícios e até manias. Ai chega alguém e diz que você esta cheio de manias, e vocês responde, não mesmo, não são manias são direitos adquiridos. Da onde?

É comum vermos capim nascendo em meio a fendas no concreto. Não precisam de muita coisa; precisam apenas de uma fresta. 

Jesus quer nos alertar sobre esses apegos indesejáveis. Quando nos diz que todo o apago exagerado pode nos afastar de Deus. Deus deve estar em primeiro lugar em nossa vida, mesmo antes que as coisas mais puras e santas, como a nossa família. 

Jesus quer que famílias se desfaçam, pelo contrario, pois as pessoas que não vive em Deus não tem chance de ser uma família de verdade, pois os apegos geram distanciamento e rivalidades que destroem as relações.

Irmãos a caminhada, para o céu é longa, quanto mais peso levo mais complicada será para me manter nela. O peso das coisas que carrego fatalmente ou me farão parar mais vezes ou nos motivará a desistir. 

A pessoa apegada pensa no que tem a perder quando aceita Deus, porque não é capaz de ver o que tem a ganhar. 

Quando éramos jovens nossos pais sabiam por onde andávamos pela cor da roupa que chegávamos em casa, inclusive os carrapichos. Mais que nossos pais, Deus sabe por onde andamos e conhece cada um dos carrapichos que tememos retirar. O desapego não é fácil, exige esforço e humidade. 

Rogamos humildemente que o Bom Deus tire as nossas imperfeições para sermos dignos do Reino dos Céus.

sábado, 4 de novembro de 2017

SANTOS

Vivemos num mundo estressado, as pessoas correm, e correm sem saber para onde, porque esqueceram que são de onde vieram e qual é o nosso destino. Celebrar todos os santos é recordar: 


Quem somos - SOMOS FILHOS DE DEUS;
De onde viemos - VIEMOS DE DEUS;
Qual a direção a seguir - O SENTIDO DA VIDA É O CÉU.

Podemos dizer que a celebração de todos os santos, é um convite a olharmos para o céu, pois lá é o nosso lugar, o céu é a nossa meta, e a multidão de santos e de santas, são aqueles que trilharam o caminho à nossa frente e alcançaram e o objetivo, a nós cabe seguir os seus passos.

Como história do pai que ao passar por uma encosta disse ao filho cuidado onde pisa para não escorregar. E o filho responde cuidado você onde pisa, pois eu vou atrás pisando nos seus rastros. 

Os santos passaram por esse mundo e deixaram os seus rastros, as marcas de seu amor a Deus, a igreja reconhecendo a sua santidade, nos diz que podemos seguir os seus rastros, pisar onde eles pisaram, pois ai tem um caminho seguro, que nos levará à glória do céu.

Infelizmente, muitos têm como heróis os atores, os cantores, jogadores de futebol e outros que não são bons exemplos. Quanto a nós, que nossos modelos sejam os santos, verdadeiros heróis. Pois com Cristo venceram as tribulações da vida! Hoje eles intercedem por nós junto de Deus, pois o que eles foram, nós somos e o que eles são, todos nós somos chamados a ser. 

Eles fizerem o que deviam fazer cada um do seu jeito, respondendo aos desafios da sua época, procurando serem fiéis a Deus. Pessoas como nós, frágeis como nós, sofreram as tentações que nós sofremos, contaram com a mesmo graça de Deus que nós contamos, se eles conseguiram a santidade vivendo nesse mundo, também podemos!

Nem todo mundo pode ser astronauta, presidente da republica ou ganhar na sena, mas exista algo muito melhor que tudo isso que todos nós podemos ser: todos podem ser santos. 

Optamos pelo o caminho da santidade, quando deixamos de projetar a nossa vida em nós mesmos, para projeta-la de Deus. 

Infeliz daquele que tem a si mesmo com centro da sua vida. Quem vive somente para si tem muito pouco motivo para viver, viverá insatisfeito, angustiado, deprimido. Feliz daquele que vive para Deus e para os irmãos. Nunca lhe faltaram amigos ao seu lado, contará com uma família e uma comunidade. Viver para Deus e para os irmãos não é um caminho fácil, mas sem dúvida é o caminho da felicidade. 

O desejo de Deus é a nossa felicidade. Ser bem Aventurados, ser feliz, é tudo o que mais desejamos, pena, que muitos buscamos a felicidade fora dos planos de Deus onde nunca vamos encontrá-la. 

Para o mundo, felicidade, é ter isso ou aquilo, é poder fazer o que se quer, pura mentira, felicidade não é ter ou poder, felicidade é ser. Ser pai, ser mãe, ser amigo, ser irmão, não existe felicidade fora do calor das relações humanas. 

Perguntem a uma mulher que tenha sido muito bem sucedida na sua carreira, reconhecida por suas habilidade, e até mesmo ganhado muito dinheiro; e ela lhe dirá que a sua maior felicidade terá sido ser mãe.

Precisamos nos conscientizar, de que a felicidade, não é algo que podemos comprar, nem significa ausência de problemas. Pois mesmo em meio a dores e sofrimentos podemos amar, ser amador, e ser feliz.

Ninguém busca o sofrimento, mas é inevitável. Faz parte da vida humana, assim como nascemos, e um dia morreremos, assim temos dias maravilhosos e dias difíceis. É preciso saber aproveitar as dificuldades da vida como lições que nos ensinam trilhar os passos de Jesus, e estar no caminho da Santidade.

É impossível evitar que o sofrimento bata a sua porta, mas não precisa oferecer uma cadeira e um cafezinho para ele. Não fique mimando a tua dor, quanto mais lambemos as feridas mais elas ardem. Para de lamber as feridas e olhe ao seu redor quem esta precisando de você, do seu sorriso do seu carinho da sua mão amiga. 

Assim são os Santos, aqueles que mesmo em meio das provações souberam amar. Eles nos fazem ver onde está a verdadeira felicidade.
Related Posts with Thumbnails